Chefes políticos, chefes religiosos, luta pelo poder, controlo, confronto. Medo. As pessoas vivem no medo, na dualidade do bom e do mau. Isto é bom para mim, deveria ser bom para toda a gente. Segurança, protecção, desconfiança. Isto é mau, o outro está errado, suspeita. Tentativa de domínio, exercer a minha verdade sobre a do outro. Religião.
Vi um documentário que recomendo sinceramente a toda a gente: Zeitgeist. Abana completamente os nossos pilares. Desde a explicação da origem da religião e o porquê do seu simbolismo, em seguida as teorias da conspiração entre a América (domínio do Bush) e o outro lado do mundo - talibãs e afins. Como tudo é um complô contra a liberdade humana.
A TV! A sua programação que deixa o povo dormente, inerte intelectualmente, num marasmo existencial. Tentativa de controlo... Ter o poder sobre as massas, privá-las do seu raciocínio lógico, que é o único que pode conduzir à revolta, à liberdade; à libertação dos seus tiranos! Anda meio mundo a dormir, enganado pela outra metade que veste fatos e joga debaixo da mesa por interesses comuns. Discursos bonitos, polidos, aparência cuidada, sorrisos cínicos, amabilidade fingida. Querem dinheiro, querem o poder. É inebriante... É apavorante...
O chip? Meu deus, acordem as massas! E que se faça uma bolonhesa! Todos juntos, vamos lá, re-ligar: uns com os outros, contra aqueles. Mas não... No confronto não está no ganho, mas exactamente em não jogar esse jogo, o jogo deles. Ganham poder com a nossa resistência, porque nos esgotam. Mas nós somos fortes, somos um colectivo - se conseguirmos agruparmo-nos como tal.
"É o que está escrito na bíblia! O senhor não vê?" e o outro pensa: "Não, senhor, eu não vejo! Aliás, eu nem quero ver! Porque é que tenho de ver o que o senhor vê, pode explicar-me??" Não, o outro não pode explicar, porque dele sabe ele e o outro sabe de si, mas nenhum dos dois sabe um do outro, ou nenhum dos dois quer saber do outro porque espera do outro exactamente que ele queira saber de si!
Confronto, dualidade - dois lados, o meu e o teu. Mas dentro do teu e do meu lado, pontos em comum, não vêem? Eu vejo! Mas eu não entro no confronto, e vejo de fora. Eu aceito, eu tolero. Não acredito no teu deus? Pois bem, acredito no deus que nos é comum. Não concordamos ambos que o mundo surgiu de algo, de uma força superior, de um fenómeno inteligente? Eu chamo-lhe deus, e o senhor? Também? Óptimo. Não acreditamos que a vida tem um propósito? Eu posso chamar-lhe destino ou programa de vida, o senhor chama desígnio de deus? Vê, falamos a mesma língua. Acredita que fomos feitos à semelhança de deus? Eu acho que dentro de nós reside a perfeição. Será isso que é sermos feitos à imagem de deus? Eu creio que sim.
Porquê a rígidez senhor? Se estamos os dois no mesmo barco e não em barcos diferentes. A arca de Noé. Não levava a todos na mesma encruzilhada para nos libertar? Aqui e agora é o momento dessa embarcação. Continuamos juntos na mesma saga. Uns vão para o inferno, outros renascem no paraíso. Pois se o senhor se encontrou na sua religião, encontrou o paraíso sem dúvida. Inferno? No inferno andam todos os que não se encontraram. Sim, porque depois de morrermos vamos todos para o mesmo sítio, para o mesmo repositório de almas. Não viajamos todos ao encontro de deus? O objectivo não é esse? Vê, mais uma vez entramos em acordo. Porque não darmos as mãos e nos chamarmos de irmãos?
Eu e tu, eles e elas, nós e vós. Estamos todos cá para o mesmo. As barreiras do medo estão a enfraquecer, estão a ruir. Daí o pânico, a ansiedade, a angústia. Libertar-se de uma tirania de séculos não é fácil. Mas ela vai cair por si. Não é sustentável. E estamos todos cá para ver. Seja bom ou mau.
"Because we are all in this together..."