18 Novembro 2009

Margaret @

against fear!

Vivendo o dia, os momentos, sem esperar nada em troca. Pedindo e esperando a concretização desse sentir e desse pulsar, vivendo a libertação desses medos, deixando os fantasmas fluir para fora de mim, como o sopro da vida que se torna maior e maior à medida que os vejo afastarem-se, deixando dentro de mim a plenitude, um recheio cheio, grande, confortante!
Vivendo a ver os Outros dentro das suas jaulas, ou fora delas, e quão grandioso é esse momento, em que sinto que todos somos Um, que todos somos parte uns dos outros e que todos Vemos, cada um à sua maneira. Como os olhos brilham de entendimento pela vida, que só pode ser mais do que Aquilo Que É.
Vivendo amorosamente, rejubilante, com a flor da pele à flor da vida, a pulsar, a brilhar pelas pequenas coisas, que são grandes janelas para o quadro maior, em que se sente a precariedade dos modos de vida degradantes, que são aprendizagens latentes para quem se conforma a olhar o chão... Apenas estão a olhar para o lado errado! Basta uma espreitadela para cima, e aí já se percebia que afinal o sol brilha, basta Acreditar.
Ok, e não tomei nenhuma droga. Apenas tomei um pouco de Percepção e Libertação ;)
Bjus para vocês que me lêem**

15 Novembro 2009

A vida é como...

a lâmpada de aladino. Até nos dá tudo o que queremos, exactamente o que pedimos. Nós não sabemos é pedir lá muito bem... Como tal as coisas nem sempre vêm no formato esperado. Falta-nos exactidão. Ou então nem sempre sabemos assim tão bem o que queremos, e por vezes sim, até sabemos, mas também mudamos de ideias...
E tenho dito.

Passei aqui só para dizer...

Que esperava tanto ver a leopoldina siliconada como esperava ver a Júlia Pinheiro na Playboy... É daquelas coisas que eram dispensáveis.

16 Outubro 2009

My inner animal (ahaha)



You are the blue-footed booby. You are unique, interesting, and different than most people. You are often easily misunderstood, but have uncommon skills and an eccentric grace that intrigues others. When faced with complications, you dive deep into the issue to discover the root problem, making you an excellent problem-solver. In many traditional situations, you feel awkward and out of place, but your true beauty comes when you are soaring above small-mindedness and conformity and delving into the depths of the unexplored. You tend to think outside of the box and know how to think critically of things/people to discover any inherent weakness which exists. You always know how to keep things fresh and genuine, but find it hard to feel accepted by society and sometimes family members. In the right situation, you will amaze others with your natural beauty and special unique characteristics which make you celebrated. You have unending creativity and are sensitive and wise. Simply put, you refuse to "go with the flow" and that is one of your greatest qualities.

15 Outubro 2009

Os paizinhos

De hoje são seres bonzinhos, fofinhos, modernaços, "'pá frente". Riem-se das piadinhas dos filhos, quando eles dizem que são muita maus, que lhes "partem os dentes com uma pázada", que responderam torto aos professores porque os profefessores "foram injustos" com os TPC's; quando os miúdos dizem que têm uma série de namoradas e as miúdas são uma réplica das protagonistas dos morangos com açúcar (que já têm 20 e tal anos), que dançam hip-hop e assimilam toda a informação subliminar das músicas que nós adultos ouvimos; que tudo é tão fácil e tão garantido sem esforço: telemóveis topo de gama, jogos de computador tenebrosos... Depois estranham que eles sejam rebeldes, não valorizem as relações humanas, o outro; não respeitam nada, nem a si mesmos - quanto mais os pais.
Pois a mim revolta-me claro. Perguntam-se o que é feito desta geração, tão avessa aos bons costumes, tão revoltada; geração que rouba, mente, promiscui-se, objectificando o outro, abusando de substâncias tóxicas como se tivesse, de facto, levado uma vida dura, amarga.
Eu pergunto-me... Que graves consequências tem uma educação permissiva, sem limites. Aliás, falta de educação diria eu. Até quando?

Vida para-militar e a covardia (ou auto-comiseração)

Agora, todos vocês estão tendo uma vida para-militar, todos vocês estão sob graves ameaças psicológicas. Se vocês não trabalham, e não interessa se aquela é ou não a vossa vocação, não têm dinheiro. Se não têm dinheiro estão suspensos do carrossel e todos têm que entrar a horas nos trabalhos, fazer certas coisas dentro de certos ritmos e ignorar a alma o tempo todo. É a isso que eu chamo uma vida para-militar.

André Louro de Almeida
http://www.iridia-lumina.org/


Vida para-militar porque muita gente vive ainda alienada, vive em piloto automático, sem se deter para pensar. E quando o faz, oh raça mal habituada a pensar em si - mas no si verdadeiro, que arde dentro de nós tal centelha divina (ui!) - fica assustada, angustiada e confusa. Porquê? Porque esse espaço é um espaço em branco, qua ainda não preencheram do tal Si, que nem sabem como é, qual a aparência, porque também nunca o criaram, rápidos que são nas fugidas desse seu interior.
Somos seres medricas, nervosos, com medo de nos olharmos ao espelho. Como tal precisamos de nos vermos no espelho humano, que é dizer vermo-nos na imagem do outro. Claro que só poderíamos ser críticos. Claro que a isso se dá o nome de projecção. Fácil é apontar o dedo, criticar. Difícil é olhar para dentro.
Muitas vezes tapamos os olhos para não vermos, cantamos alto para não ouvirmos. Mas esse pulsar que somos nós continua ali. A pulsar cada vez mais alto, até que nos empurrem do cavalinho, nos despeçam do trabalho que não gostamos, o outro acabe a relação que nos faz sofrer... E nós choramos, corremos de novo, esfalfamo-nos novamente para voltar para essas cansadas rotinas, relações; desgastamo-nos, desgastando as situações.
Mas esperem, e que tal mudar de direcção? Que tal mudar de prisma e aproveitar para nos recolhermos em introspecção e pensarmos no rumo que queremos dar realmente na nossa vida?
Viver aquele sonho, aquela relação, aquele estado de espírito. Quem sou eu para dizer que é possível ou que tudo é um mar de rosas. Cada um cria a planta que quer para si. E se quer um mar, um lago ou uma poça. Mas epa, secalhar talvez haja que se tentar não?

(Sim, às vezes apetece-me dar abanões nas pessoas)

13 Outubro 2009

À beira mar fala-se de...

- Mas porque é que temos de precisar de alguém?

- Tal como a tua gata sente a necessidade de carinho e afecto, assim são as pessoas. Mesmo que o animal não perceba a emoção, não saiba o que é, tem a necessidade de procurar mimo. Imagina nós...

11 Outubro 2009

Coragem

A semente não pode saber o que lhe vai acontecer, a semente jamais conheceu a flor. E a semente não pode nem mesmo acreditar que traga em si a potencialidade para transformar-se em uma bela flor. Longa é a jornada, e sempre será mais seguro não entrar nessa jornada, porque o percurso é desconhecido, e nada é garantido. Nada pode ser garantido. Mil e uma são as incertezas da jornada, muitos são os imprevistos - e a semente sente-se em segurança, escondida no interior de um caroço resistente. Ainda assim ela arrisca, esforça-se; desfaz-se da carapaça dura que é a sua segurança, e começa a mover-se. A luta começa no mesmo momento: a batalha com o solo, com as pedras, com a rocha. A semente era muito resistente, mas a plantinha será muito, muito delicada, e os perigos serão muitos.



Não havia perigo para a semente, a semente poderia ter sobrevivido por milênios, mas para a plantinha os perigos são muitos. O brotinho lança-se, porém, ao desconhecido, em direção ao sol, em direção à fonte de luz, sem saber para onde, sem saber por quê. Enorme é a cruz a ser carregada, mas a semente está tomada por um sonho, e segue em frente.


Semelhante é o caminho para o homem. É árduo. Muita coragem é necessária.
 
Osho

04 Outubro 2009

Relações mal resolvidas

são como constipações mal curadas. Significa que podem levar a complicações ou a agravamentos emocionais ou a alguma pneumonia grave...

02 Outubro 2009

Guerras de poder

Chefes políticos, chefes religiosos, luta pelo poder, controlo, confronto. Medo. As pessoas vivem no medo, na dualidade do bom e do mau. Isto é bom para mim, deveria ser bom para toda a gente. Segurança, protecção, desconfiança. Isto é mau, o outro está errado, suspeita. Tentativa de domínio, exercer a minha verdade sobre a do outro. Religião.
Vi um documentário que recomendo sinceramente a toda a gente: Zeitgeist. Abana completamente os nossos pilares. Desde a explicação da origem da religião e o porquê do seu simbolismo, em seguida as teorias da conspiração entre a América (domínio do Bush) e o outro lado do mundo - talibãs e afins. Como tudo é um complô contra a liberdade humana.
A TV! A sua programação que deixa o povo dormente, inerte intelectualmente, num marasmo existencial. Tentativa de controlo... Ter o poder sobre as massas, privá-las do seu raciocínio lógico, que é o único que pode conduzir à revolta, à liberdade; à libertação dos seus tiranos! Anda meio mundo a dormir, enganado pela outra metade que veste fatos e joga debaixo da mesa por interesses comuns. Discursos bonitos, polidos, aparência cuidada, sorrisos cínicos, amabilidade fingida. Querem dinheiro, querem o poder. É inebriante... É apavorante...
O chip? Meu deus, acordem as massas! E que se faça uma bolonhesa! Todos juntos, vamos lá, re-ligar: uns com os outros, contra aqueles. Mas não... No confronto não está no ganho, mas exactamente em não jogar esse jogo, o jogo deles. Ganham poder com a nossa resistência, porque nos esgotam. Mas nós somos fortes, somos um colectivo - se conseguirmos agruparmo-nos como tal.
"É o que está escrito na bíblia! O senhor não vê?" e o outro pensa: "Não, senhor, eu não vejo! Aliás, eu nem quero ver! Porque é que tenho de ver o que o senhor vê, pode explicar-me??" Não, o outro não pode explicar, porque dele sabe ele e o outro sabe de si, mas nenhum dos dois sabe um do outro, ou nenhum dos dois quer saber do outro porque espera do outro exactamente que ele queira saber de si!
Confronto, dualidade - dois lados, o meu e o teu. Mas dentro do teu e do meu lado, pontos em comum, não vêem? Eu vejo! Mas eu não entro no confronto, e vejo de fora. Eu aceito, eu tolero. Não acredito no teu deus? Pois bem, acredito no deus que nos é comum. Não concordamos ambos que o mundo surgiu de algo, de uma força superior, de um fenómeno inteligente? Eu chamo-lhe deus, e o senhor? Também? Óptimo. Não acreditamos que a vida tem um propósito? Eu posso chamar-lhe destino ou programa de vida, o senhor chama desígnio de deus? Vê, falamos a mesma língua. Acredita que fomos feitos à semelhança de deus? Eu acho que dentro de nós reside a perfeição. Será isso que é sermos feitos à imagem de deus? Eu creio que sim.
Porquê a rígidez senhor? Se estamos os dois no mesmo barco e não em barcos diferentes. A arca de Noé. Não levava a todos na mesma encruzilhada para nos libertar? Aqui e agora é o momento dessa embarcação. Continuamos juntos na mesma saga. Uns vão para o inferno, outros renascem no paraíso. Pois se o senhor se encontrou na sua religião, encontrou o paraíso sem dúvida. Inferno? No inferno andam todos os que não se encontraram. Sim, porque depois de morrermos vamos todos para o mesmo sítio, para o mesmo repositório de almas. Não viajamos todos ao encontro de deus? O objectivo não é esse? Vê, mais uma vez entramos em acordo. Porque não darmos as mãos e nos chamarmos de irmãos?
Eu e tu, eles e elas, nós e vós. Estamos todos cá para o mesmo. As barreiras do medo estão a enfraquecer, estão a ruir. Daí o pânico, a ansiedade, a angústia. Libertar-se de uma tirania de séculos não é fácil. Mas ela vai cair por si. Não é sustentável. E estamos todos cá para ver. Seja bom ou mau.

"Because we are all in this together..."

01 Outubro 2009

Aceitação

Há que aceitar não só as pessoas, a nós próprios, a opinião (e consequentemente religião) alheia, assim como devemos também aceitar as nossas emoções. Revoltarmo-nos contra elas, negarmos a sua existência ou desejarmos ardentemente que essa emoção não exista não faz com que a emoção simplesmente desapareça, acaba é por permanecer mais tempo a arder dentro de nós, mascarada por revolta e angústia. assim só consumimos mais energia... Só nos desgastamos.
Dentro de nós existe sombra e existe luz (já dizia Carl Jung). A sombra (nossos defeitos ou emoções menos boas ou prazerosas) também faz parte da nossa personalidade, da nossa humanidade. Para quê então lutarmos contra essa humaninade, que é constituida por qualidades e defeitos, beleza e fealdade? Não havia sentido se tudo fosse felicidade. Há que reconhecer a saudade para podermos apreciar a volta de alguém querido. Há que sentir a dor para dar valor à alegria de um momento especial. Dar valor no fundo é uma grande aprendizagem... Tal como a aceitação: dar valor ao tanto ao belo como ao feio; ao bom como ao mau. A nós nos bons momentos e a nós nos maus momentos. Isso nunca vai deixar de acontecer - bons e maus momentos, intercalados uns com os outros. Faz parte! Por isso, porque não aceitar essas ocorrências e forma de estar e sentir? Muito mais fácil do que lutar contra.

28 Setembro 2009

Dentro da doença, a Cura

Fazemos todos parte da mesma ilustração, da mesma pintura. Cada um dentro dos seus papéis, cada um desempenhando melhor ou pior o papel que lhe coube; outros ainda a criarem novos papéis, e no seio de cada representação, reinventar novas criações, novas representações. Uns mais fidedignos que outros, relativamente ao inicialmente projectado; outros simplesmente deixaram cair os seus papéis, as suas máscaras, e criaram-se a eles próprios.
Dentro da cura, há o nada: «nada em que se apoiar, nenhum sentido de direção, nem mesmo um indício a respeito de quais opções e possibilidades poderiam estar à frente». Dentro do nada há o acreditar - «o "nada", de facto, não é exactamente um vazio: ali se encontra potencialmente o "tudo". Nele, vibram todas as possibilidades. Trata-se de potencial, potencial absoluto. Ainda não está manifesto, mas tudo está contido ali» [Osho].
Assim, dentro da doença deve encontrar-se o "nada", esse lugar de silêncio e paz. Ao nos remetermos para um nada, uma não expectativa, uma não ansiedade ou angústia, remetemo-nos para a fé de que a cura exististe e tem o seu lugar, porque acabámos de criar esse lugar! Esse lugar de reinvenção, de recriação, de potencial. Ao encontro do potencial, temos o desejo, a intenção de curar. Aliados um ao outro, dá-se o fenómeno de cura.
E uma vez mais podemos sorrir, colher flores à beira do caminho, porque de liberdade devem ser tecidos os nossos passos. E a pintura que esboçámos deve ser igualmente bela, ornamentada com os seus esgares e contorções de outros alguéns como nós, que trilham um caminho muito junto ao nosso, espicaçando os nossos papéis a reverterem-se para essas tremendas possibilidades que oferece o guião original.
Ficar na bancada pode ser uma opção, é certo, porque assistir aos malabarismos dos outros pode ser estimulante, pode ser iluminador [ilumina - dor], mas é no palco da vida que se colhem as sementes que desejamos plantar e ter de reserva nos nossos frascos. E é com essas sementes que vamos plantando e vivendo, renascendo a cada passo dado.



A dor

De que forma se sente a dor? De que forma pode ela sair? Há quem chore, há quem grite, há quem a adormeça com alcóol, há quem simplesmente fuja e há quem a disfarce com outra coisa qualquer, com um sorriso, com a necessidade de ter sexo e há inlcusive quem tenha de ver filmes para conseguir chorar, e dessa forma libertar alguma da dor.
A dor e o controlo podem estar interligados. As pessoas não querem sofrer, não querem deixar ir determinadas coisas, determinadas pessoas, determinados acontecimentos de vida. Como tal querem controlar o que sentem. Tapam os olhos para não verem, tapam os ouvidos para não ouvirem e fecham a mente para não pensarem, não enfrentarem.
Também pode acontecer um não reconhecimento da dor, uma recusa de que se está a sofrer. Os sintomas são a angústia, a tristeza "não sei do quê", alguma revolta, e talvez até alguma apatia. Neste caso o nosso organismo, ou mente, acaba por funcionar como um processador automático, independente da nossa vontade, resolvendo os assuntos internamente, à sua maneira, já que  o consciente não está em condições de assimilar determinadas informações.
A dor tem o seu próprio circuito neuronal. Se somos queimados ou picados, a pele tem certos sensores que activam esse circuito, dando o alarme ao sistema nervoso central de que algo se passa em determinado departamento do nosso corpo. A mente reage enviando dor ao local para nós fazermos algo relativamente ao assunto.
Chegamos então ao cerne da questão. E quando a dor não vem da parte física? Se a dor é emocional? Dói na mesma. Será que serve identificar o local de onde dói, para se poder fazer qualquer coisa a respeito...? Porque sim, se dói, significa que se tem de curar essa dor, mesmo que emocional. Primeiro perceber o que doi, porque começou a doer e como se pode expulsar essa dor. Mas ao mesmo tempo, estaremos nós inteiramente capacitados para perceber porque doi? Estamos tão envolvidos connosco que muitas vezes só os espectadores de fora, que pertencem às nossas vidas, é que conseguem ver o filme maior.
Melhor ou pior, temos de viver com a dor, aprender a conviver com ela ou a aceitá-la como parte integrante do nosso ser. Se o fizermos, mais depressa ela se cura, em vez de remoer-mos por não a querermos ver ou aceitar. Algo muito importante: aceitar a dor, para que também saibamos aceitar que ela vá embora, em vez de a carregarmos aos ombros como uma comadre amarga que pulsa dentro de nós.
Portanto, depois da dor e da tentativa de controlo, só mesmo a aceitação para nos libertar.

22 Setembro 2009

A dependência

O poeta está à procura de Deus durante milhões de vidas. Ele o viu algumas vezes, longe, ao lado de uma estrela, e começou a mover-se nessa direção, mas, quando chegou à estrela, Deus havia se deslocado para outro lugar. Ainda assim continuou a procurar - o poeta estava realmente determinado a encontrar a morada de Deus - e, para sua grande surpresa, um dia encontrou uma casa em cuja porta estava escrito: "Morada de Deus." Você pode imaginar seu contentamento, seu êxtase. Subiu correndo os degraus e, na hora em que ia bater na porta, sua mão ficou paralisada. Pensou: “Se essa for mesmo a morada de Deus, então estou acabado, minha busca terminou. Me identifiquei com essa busca, não há nada mais que eu conheça. Se a porta abrir e eu estiver diante de Deus, o que farei depois?”

(Poema de Rabindranath Tagore, por Osho)

O que é que este texto tem a ver com dependência? Tem a ver com a dependência da busca daquele lugar mágico. Seja o sonho, seja aquela pessoa, aquele amor, seja a felicidade, a paz... Aquilo que é almejado com fervor.
Mas quero falar especialmente das pessoas que procuram o amor, ou aquela pessoa especial. Para eles o caminho, ou a busca, é algo de que fazem depender as suas vidas. Procuram em todo o lado, quando saem à noite, quando vão jantar com amigos, quando passeiam na rua e tentam encontrar aquele olhar que as paralise, aquela presença que incomoda e faz ferver as entranhas; procuram em qualquer conhecido, em qualquer nova pessoa que conheçam. Contudo, essa pessoa não chega, não aparece, não se dá a conhecer. Essa pessoa é uma incógnita, e, mesmo nos braços de outras pessoas, mesmo na presença de algum companheiro/a, não se sentem identificados. Acham que não é - ainda - aquela pessoa. E a busca continua... O desespero, a angústia, a tristeza; a mágoa. Mais que tudo, a mágoa é o que fica. Mágoa de "ainda não ser desta que encontrei". Mesmo quando até se gosta da pessoa, essa pessoa ou não corresponde, ou foge, ou tem assuntos por resolver... E a busca torna-se um autocarro com paragem incerta, depois desses pseudo-relacionamentos, que conduz a um destino que nem no horizonte se afigura.
Algo está errado aqui... Porque procuramos o que não podemos conhecer? Quando podemos ir colhendo flores na beira da estrada, observando os passarinhos, acompanhando o curso de água que corre ao nosso lado, saboreando o sol no rosto?
Fazemos depender a nossa felicidade de tão pouco... ou de tão muito! Quando o que está lá fora é irrisório; é fachada, é ilusão! Dentro de nós está o caminho, está o mapa, estão as ferramentas, as botas de viajante, os bálsamos, os contactos para pedirmos ajuda... Dentro de nós está o motor de busca, sem dúvida, mas é dentro de nós que temos de encontrar as respostas, a paz de saber que tudo vem até nós. Só temos de aguardar... E esperar - isso sim, deveria ser o objectivo último da nossa existência: saber esperar. Apreciar a vida nesse entretanto, porque a vida sempre nos traz coisas: alegria, amigos, divertimento, algumas tristezas é certo, mas faz tudo parte do carrossel da vida! Para que dentro de nós possa haver tudo; todo um mundo repleto de emoções, para que sejamos mais completos, mais humanos. Senão viveríamos num extâse total e aí já não pertenceriamos mais a este mundo... Pois estariamos conectados com uma essência superior.

O poeta ainda disse: "Há uma grande excitação, um grande desafio, e em minha busca continuo a existir". Até concordo com a frase, até porque se costuma dizer: "O importante é o caminho e não o destino". Não podemos é fazer depender a nossa alegria da busca pela expectativa da chegada. Isso sim, pode minar o caminho.

21 Setembro 2009

Novos posts

19 Setembro 2009

"Há cada vez mais gente a pensar como nós"

E que tal se fossem vocês a pensar como nós?

Dá-me graça estes políticos... e se em vez de lerem duas frases, as fixassem, já que é a "verdade" que estão a defender?

Realmente...

18 Setembro 2009

Politicando

Sabem aquelas pessoas que vivem a leste, não sabem do estado do mundo, que vivem desapegadas das políticas e economia do país? Essas pessoas vivem longe, refugiadas num mundo onde não têm de tomar opções, fazer escolhas informadas, concisas; onde não têm de se informar, negam-se, não querem pensar em coisas sérias, em coisas de adultos. Talvez essas pessoas têm medo de crescer, tomar uma atitude, afirmarem-se perante o mundo, perante elas mesmas. Porque no fundo reflectir sobre as coisas é algo pesado quando se inicia a fazê-lo; é pesado e custa. Tanta coisa que se foi passando e essas pessoas na sua concha! Já viram a quantidade de informação que essas pessoas vão ter de acompanhar, recuperar?
Abster-se de votar por exemplo, pode ser por dois motivos: desinteresse ou negação. Ambas podem roçar na ignorância. O que não quer dizer necessariamente que seja mau - porque no fundo é uma escolha. A pessoa pode optar por viver na ignorância; por não ter de fazer escolhas. Essa já de si é uma escolha. Claro que todos os dias temos de fazer escolhas, mas há pessoas para quem a escolha é uma tarefa árdua... Sai-lhes a ferros.
Mas crescer também é uma opção... E mudar também.

De que casaco me despi

eu no mês de agosto? Esse mês de tantas limpezas internas. Boa pergunta... Mas julgo que me despi do casaco do apego a velhos esquemas. Tem sido algo difícil libertar-me de certos esquemas e certos padrões, isto porque habituamo-nos a carregá-los toda uma vida e acabamos afeiçoando-nos a eles, tal como quem se apega a um velho e cansado emprego ou relação que não traz nada de novo, a não ser o mesmo cansaço e o mesmo de sempre - o mesmo conhecido de sempre! E o comodismo, de facto, é algo perigoso. Receamos o novo... Que pode ser bem melhor do que o velho!
Despi-me do pensar que sair à noite era enssencial para mim, despi-me do pensar que preciso ter um homem porque sim, porque é bem ter alguém, porque se devem mandar umas quecas de vez em quando; despi-me do julgar que os homems têm de ser todos iguais - se pensar assim não há futuro para mim! E assim jamais me entregarei. Despi-me, então, exactamente de pensar no todo como um esquema, ou no esquema como um todo: despi-me de pensar que só um esquema pode abarcar tudo! Todas as pessoas, todas as relações, todos os géneros sexuais. Tanta dualidade, o bom e o mau, o homem e a mulher; tanta rispidez, tanta crítica.
Por isso velho casaco, adeus.

Saber pedir

é algo muito importante. Porque saber pedir é saber reconhecer o que se precisa. Ser bem claro no que se pensa, na sua opinião e na sua decisão. Quando se sabe o que se quer, tudo se torna mais fácil, mais cristalino e a estrada que se nos afigura serve apenas para seguir em frente, não precisamos atalhos, curvas e contra curvas.
Quando estamos tristes e sentimos que precisamos de alguém, pedir simplesmente "alguém" é algo muito vago. Precisamos ser precisos: se nos sentimos sozinhos, vazios, devemos pedir carinho, pedir mimo, afecto; podemos pedir amor, preenchimento, sentimento de satisfação... e essas emoções virão, sob que forma seja.
Também devemos ser claro na forma como nos pronunciamos, assim como na nossa crença. Não basta só "pedir", resta esperar e acreditar que essas coisas virão, e só aí, já nos sentimos preenchidos! Quando acreditamos.
Acreditar é uma palavra poderosa... Ela traz paz, esperança, luz. Dentro do acreditar cabe tudo, cabe o amor, cabe a fé, cabemos nós e o mundo, e cabe um amanhã solarengo... que as pessoas que acreditam sabem que virá, indubitavelmente.

Pergunto-me

porque é que as minhas amigas são totalmente dependentes de homens, pelo menos as mais próximas. E pergunto-me porque "escolho" eu estas amigas. Na altura achava que sim, que a nossa felicidade dependia de termos alguém ou não, de partilhámos a nossa vida, fazermos planos a dois ou com o grupo de amigos, dormir com alguém todas as noites, almoços e jantares em família, aparecer na terrinha com o namorado...
Mas ao mesmo tempo via as minhas amigas sempre em sofrimento por causa desses mesmos homens. Sair à noite era uma constante, uma procura constante desse alguém que, supostamente, lhes preencheria a vida. Eu assistia a tudo, em parte também à procura, em parte a sentir que sou um ser solitário que no fundo escolhe estar sozinho... Sempre que tive relações foi para provar a mim própria (e quem sabe para provar aos outros também) que era possível, era capaz, eu também tinha namorados! Quando na realidade só me sentia miserável por dentro, a pensar que (ainda) não era aquela pessoa que realmente me preenchia, que realmente eu queria, que eu amava e por quem era apaixonada.
Perguntava-me porquê, porque raio as minhas amigas arranjavam sempre alguém com (maior ou menor) facilidade; porque é que as minhas amigas se apaixonavam, caiam, decepcionavam-se, mergulhavam bem fundo, mas depressa se levantavam, sempre com a vontade de procurar outro alguém de novo...
Pergunto-me porque levei anos com esse modelo de mulher, a querer identificar-me com esse modelo, a querer coincidir, mas a não conseguir; claro, as paranóias, o neuroticismo, era meu também. Projectava-me nelas, nas histórias delas e pensava que era assim que tinhamos de ser: paranóicas, neuróticas, a desesperar por uma mensagem não enviada, não respondida. Coisas tão simples como essa.
E no dia de hoje pergunto-me: é essa mulher que quero ser? É essa mulher que sou? Não. Eu não quero um homem. Eu quero - e mereço - um Companheiro. Uma pessoa que me ouve, que se preocupa comigo, que me respeita; uma pessoa coerente, equilibrada, madura, responsável; uma pessoa que não tema, uma pessoa livre. Eu não quero esse homem que as minhas amigas procuram e acabam encontrando, um homem que lhes prova que não vale a pena envolverem-se... Que eu vejo que não vale a pena me envolver! Porque é delas que retiro essa lição.
Então o que eu quero é isso, quero querer alguém que me queira na mesma medida. E não tenha dúvidas acerca.